Miss. Al Felix

A Visão Bíblica


Tenho encontrado um crescente interesse na maravilhosa e poderosa operação de um dos Dons do Espírito: o Dom de Profecia – que revela as expressões vocais do Espírito através da mente e dos lábios de um homem ou de uma mulher. Acredito que um estudo resumido de "perguntas e respostas" seria oportuno e benéfico para a igreja local, como um todo.
A Profecia é Sempre Perfeita?
1Co 13.9 nos mostra "Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos".
A Palavra mostra que a profecia está em estado imperfeito e está "em parte".
1Ts 5.20, 21 diz: "Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem".
Não desprezar as profecias é uma palavra de ordem. Mas as palavras que seguem “retende o bem" insinua claramente que existirão coisas que não serão boas e, portanto, não devem ser retidas firmemente.
Não devemos desprezar o dom nem as suas funções, contudo devemos conhecer os canais através dos quais ele surge.
Portanto, a profecia deve ser provada e julgada cuidadosamente antes de ser aceita como uma palavra exata e verdadeira do Espírito Santo de Deus.
Quais São Os Domínios Seguros de Profecia?
1Co 14.3 declara: "Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação".
Estes são os três domínios comuns da profecia e com os quais o cada irmão e irmã pode praticar seu julgamento com toda a humildade e sem medo, contudo, com reverencia santa, crendo na edificação, exortação e no conforto.
1Co 14.31 diz: "Porque todos podereis profetizar, um depois dos outros; para que todos aprendam..."
Obviamente, existe alguma coisa para se aprender. Isso sustenta a razão de que quando alguém está aprendendo irá, inevitavelmente, cometer erros. Estes erros não devem ser obstáculos para quem deseja seguir ao Senhor com humildade e sinceridade.
O cristão (ou o aprendiz) deve permanecer dentro dos domínios do aprendizado:
1. Edificação (a formação do ouvinte, em fé e amor ao Espírito Santo).
2. Exortação (o desejo do ouvinte de apressar-se em direção à meta, com um amor e uma atividade mais poderosos).
3. Consolo ( levar o consolo aos acusados, aos feridos, aos aflitos).
4.
A Condenação é de Deus
Jo 3.17 declara que "...Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo". Rm 8.1 declara ainda: "Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus..."
Quando, em vez de consolo existe condenação, ela deve ser rejeitada. Rm 8.34 pergunta: "Quem os condenará? Pois é Cristo Quem morreu..." Jesus sepultou toda a nossa condenação com Sua morte na cruz, ressuscitando para nossa justificação!
Portanto, a profecia da condenação pode nunca ter sido obra do Espírito Santo. O Espírito pode admoestar, exortar e repreender, contudo Ele o faz com muito carinho, influenciando a pessoa para o arrependimento e o amor, mostrando sempre a saída para o problema. O Espírito Santo jamais deixa alguém num buraco profundo de depressão e condenação, sem misericórdia nem esperança para erguê-lo novamente para a graça do Seu terno perdão.
Tais palavras proféticas condenatórias, as quais são comumente rudes e devastadoras para o ouvinte, devem ser reconhecidas como sendo de um outro espírito, e não como do Espírito de Cristo.
Qual é a Origem da Profecia?
As Escrituras declaram claramente que a profecia pode ser sugerida por uma das três fontes:
1. Um espírito humano.
Algum falando o que está no próprio coração (Ez 13.2, 3).
1. Um espírito mentiroso.
Um espírito diabólico (2Cr 18.21).
1. O Espírito Santo.
O verdadeiro espírito de profecia, do alto, movido pelo Espírito Santo.
1. Uma mistura de todos três.
A profecia pode ser uma mistura de qualquer um dos três acima.
Há o exemplo clássico do apóstolo Pedro falando a Palavra do Conhecimento, quando disse: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo".
Jesus comprovou que a carne e o sangue não revelaram Pedro àquelas palavras, mas o Pai. Então, alguns minutos mais tarde, Jesus se voltou e repreendeu satanás, que falava através do mesmo apóstolo.
Jesus estava mostrando quão fácil e rapidamente, o espírito iníquo podia falar através dos lábios de alguém que ama o Senhor, sem que esse alguém nem mesmo percebesse.
O que Pedro falou foi para alertar os ouvidos imprudentes. Jesus percebeu o intento destrutivo de satanás para introduzir a auto-piedade.
Quando Devemos Usar a Profecia?
Há três outros domínios da profecia que estão mais expostos ao engano e, devido à sua verdadeira natureza, devemos ser cautelosos com relação a eles. Estes três domínios são:
1. Quando é uma Palavra do Conhecimento.
"Os segredos do seu coração ficarão manifestos" (1Co 14.25) – Um efeito do Dom da Palavra do Conhecimento.
1. Quando é predição.
Coisas que estão por vir – Um efeito do Dom da Palavra da Sabedoria.
1. Quando é orientação.
Um efeito que pode ser de ambos os dons, porém age muito mais no escopo do Dom da Palavra da Sabedoria.
A "orientação" errada pode causar uma destruição maior nas vidas dos filhos de Deus e é neste domínio em que os "espíritos familiares", os demônios mais se regozijam em entrar.


Um Exemplo Clássico Sobre os Três Domínios da Profecia.
1Sm 10.1-10, mostra claramente o funcionamento desses três domínios proféticos.
Primeiro, Samuel revelou o segredo do coração de Saul – que ele estava procurando os jumentos perdidos. Depois, ele fez uma predição: deu três indícios do que iria acontecer num curto espaço de tempo:
• Saul encontraria dois homens que lhe diriam, "os jumentos foram encontrados".
• Depois, ele encontraria três homens com três cabritos, três pães e uma garrafa de vinho. Os homens lhe dariam dois pães.
• Aí, então, Saul encontraria um grupo de profetas vindo do alto da montanha com saltérios, tamborins, flautas e harpas e que profetizariam. O Espírito do Senhor viria sobre Saul e ele profetizaria.
Todas as predições se realizaram. E veio, então, a obediência à orientação que Samuel havia dado:
"Vá na minha frente até Gilgal. Depois eu irei também, para oferecer holocaustos e sacrifícios de comunhão, mas você deve esperar sete dias, até que eu chegue e lhe diga o que fazer" (1Sm 10.8 NVI). Saul obedeceu à orientação, quando todas as outras predições se concretizaram.
A Profecia é Sempre Útil?
Muitas vidas têm sido prejudicadas e levadas pela confusão, pelo uso errado da profecia. Contudo, a Palavra nos diz claramente: "Não desprezeis as profecias" (1Ts 5.20). Depende de nós, encontrar o caminho certo para o alto dessa gloriosa montanha.
Tenho testemunhado alguns dos mais surpreendentes benefícios feitos através do precioso Dom da Profecia. Não é, porém, de admirar que através da falsificação das palavras, o inimigo deseje enganar e fazer com que este maravilhoso processo de caia em descrédito.
O Que a Nossa Reação à Profecia Revela?
Se a profecia pessoal revela um futuro ministério de grande importância, e o nosso ego se infla por causa disso, então existe alguma coisa errada em nosso coração: o orgulho estará lá. Devemos correr para o Senhor para que nos libertemos de tal sentimento.
Quando a profecia pessoal revela um futuro ministério de grande importância e faz com que caiamos de joelhos aos pés do Senhor, com profunda humildade, ela pode ser uma ajuda e uma bênção.
Quando o Senhor falou uma palavra profética a Saulo, no caminho para Damasco, Saulo jejuou e orou durante três dias (At 9.3-11; 26.13-18). A condição de humildade de coração é sempre o lugar seguro. Satanás disse: "Eu subirei ao céu" (Is 14.13, 14). Subir é a direção que satanás sempre toma.
Jesus, primeiro desceu (Ef 4.9); por essa razão Seu Pai O exaltou. Jesus sempre desceu (Fp 2.7, 8).
"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim", disse Jesus, "que sou manso e humilde de coração e achareis descanso...." (Mt 11.29).

Quem Deve Confirmar a Profecia?
"Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra" (2Co 13.1).
A lei da confirmação é um importante "dever" no julgamento e aprovação de uma palavra profética. Deus está sempre pronto para confirmar a Sua Palavra com sinais e maravilhas. As palavras proféticas são importantes – especialmente aquelas que lidam com orientação ou que afetariam as nossas vidas – não devem ser aceitas sem a completa confirmação por:
1. Aqueles que não estão familiarizados com a profecia.
2. As Escrituras.
3. Uma outra Palavra de Deus.
O seguinte versículo mostra a confirmação da profecia ao que Deus havia dito: "Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At 13.2). Isto significa que houve uma palavra anterior para eles.
Quem Deve Julgar a Profecia?
A palavra profética deve ser exposta ao julgamento daqueles que foram instituídos profetas e homens de Deus idôneos no ministério. Somos seriamente advertidos: "Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (1Jo 4.1).
As Escrituras dizem: "E falem dois ou três profetas, e os outros julguem" (1Co 14.29). Isto sustenta a idéia de que alguém que não tenha o ministério de profeta, ou em que sua vida, genuína e verdadeiramente não opera o Dom de Profecia com maior freqüência, não está qualificado para julgar. Salvo nos princípios fundamentais dos critérios já mencionados, ou na Palavra escrita.
Porém, é melhor que o espírito da expressão vocal seja deixado para o julgamento dos homens e mulheres qualificados e espiritualmente maduros no campo da profecia, e jamais qualquer aventureiro ou neófito.
Quando a Profecia Deve Ser Rejeitada?
É sempre um sinal de advertência se alguém se recusa a ter a sua palavra de revelação, profecia ou expressão, trazida para julgamento e confirmação pela Palavra escrita de Deus.
É melhor rejeitá-la imediatamente, pois indiferentemente do quanto à profecia possa ser correta, e de quão maravilhoso é o êxtase do momento, se ela é contrária à Palavra, então não a receba sob nenhuma condição.
O verdadeiro homem ou mulher de Deus recebe o julgamento com alegria. O Espírito de Cristo dentro dele o faz "sem parcialidade e sem hipocrisia" (Tg 3.17). Ele está sempre pronto para admitir que é imperfeito na sua matéria e que não é, de modo algum, infalível. Em outras palavras, nós sabemos somente "em parte" e profetizamos "em parte".
Conclusão.
Não desprezemos nem evitemos este extraordinário processo do Espírito de Deus – sejamos "espertos como as serpentes". Não nos deixemos entrar em controvérsias ou disputas, e nem permitamos receber qualquer expressão vocal que pretenda ser a Palavra infalível de Deus, sem uma confirmação apropriada e adequada.
Não permita que alguém empregue a autoridade sobre você dizendo: "Assim falou o Senhor", sem uma prova ou julgamento. E, se Deus de fato falou, então não precisaremos brigar para prová-Lo.
Deste modo, irmãos, sejamos espertos e humildes e procuremos glorificar o nosso Deus, mas sem desprezar, sem ignorar e sem evitar as profecias. Desfrutemos de suas poderosas bênçãos e do poder de toda a sabedoria do Espírito Santo. Com grande humildade em nossas mentes "prossigamos até a perfeição" (Hb 6.1).